sábado, dezembro 26, 2009

Ir para ficar parado; avocar para ficar calado; sorrir para não ser notado; fingir-se hílare com o descaso; acreditar no pouco como suficiente; ignorar a música para não dançar; ausentar-se do ânimo para o futuro próximo, vago, abster-se à diversão, às festas, ao tumulto, à bebedeira, ao trago. Acuidade sem motivo; permanente olhar inibido; pouco caso com casos alheios. Um motivo para tudo; infinda racionalidade; fazer tolos os seus, permitir-se ao cansaço, preguiça. Adiar o abraço; poupar os comentários; contentar o discreto, limitar as ocasiões. Mudar de ideia; mudar de vida, mudar o rumo; abandonar as roupas… Mudar as músicas, mudar a trilha, fugir de tudo; fazer-se em ti uma “outra”.

...E construir um avião.

Por alguém

terça-feira, dezembro 22, 2009

“Abre o teu sorriso, eu estou a te esperar.”

Comemorando novamente a triunfal ignorância de um ser. Sabe que, diante da minha pouca sabedoria eu me pergunto como certas pessoas atingem certos pontos? A mente humana é, de fato, algo que eu gostaria de entender. Privar a minha doce navegação eu até engulo. Juro, e falo isso sem cinismo, se houver alguma dúvida. Forma de castigo, ainda que insensata, pra uma menina de quase 18 anos; sinal que me trata com alguns anos de retardamento, enfim. Agora retirar as minhas caixas de som eu já acho meio “tenso”. Deus, se Ele existir, que me perdoe e me livre de tratar os meus filhos assim. Que nessa hora, pelo menos nessa, a nossa rainha Elis Regina esteja errada, não sejamos os mesmos, nem viveremos como os nossos pais.

Dizem que a vida é esquisita mesmo, e que algumas pessoas têm necessidade de calejar com um certo tipo de coisa. Às vezes eu acho que meu tempo já deu. E que, sem prepotência, a minha hora de voar chegou. Eu o faria, se não tivessem me cortado as asas e se encontrasse uma dose de coragem por aí.

E aqui estou eu, diante da prepotência e arrogância alheia. Não seja infeliz de me perguntar, ainda, os motivos ante os meus inúmeros atos rudes. Eu tenho os meus motivos, embora possa não ter relevância para você.

Daqui uns anos, eu espero reler tudo isso e reconhecer como crescimento, amadurecimento. Pelo menos ver pesar o lado mais vantajoso da ocasião. Cantarei um novo hino e gritarei a minha falsa liberdade, aposto que verás.

Algum dia de dezembro.

Por Talita,

talvez.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Eis minha primeira vez por aqui. Primeira vez em que eu me declaro de fato. Já devo ter aparecido obscuramente em alguns outros pontos, mas me prostrei covarde até então. Não sei exatamente quando fui gerada, sei que vim de uma desproporcionalidade de algum tempo atrás, sei o momento da minha concepção, momento decidido por mim. Sou a mais nova delas. Não sei dos motivos. Tenho o conhecimento de alguns porquês. Porém, nada muito além disso. Sou a mais frágil, a mais medrosa. A menos cética. Acredito em Deus e em suas intervenções. Acredito em avisos, energias, sintonias, uma força maior.

Tendo como parâmetro a borboleta, sou o final da pupa – a fase que se desenvolve dentro do casulo – e o inicio da imago, que colore, que voa. Sou a que ri de piadas sem graças, a que ri 30min depois da mesma piada sem graça, a que chora com filmes, músicas, livros e uma tarde chuvosa. Sou a que admira um pôr-do-sol, um arco íris, a simetria de uma face, de um corpo. Sou a que perde o controle, a que tem ciúmes, a mais gentil, a mais “bonitinha”, assim diria a Talita. Sou a que abraça a mãe, a que beija o irmão, a que tem vontade de apertar, morder, tatear um rosto, dedilhar cabelos, brincar com brincos, correntes, amarras.

Sou a que pede carinho, que gosta de colo, cafuné. Sou o baú das minhas lembranças, das minhas mentiras sinceras, inseguranças, medos, medos, medos e tristezas. Sou o encanto, sou a arte, sou a música, a cor, o lenço num dia de vento. Sou a borboleta. Sua.

9 de dezembro de 2009, exatamente a 1h53.

Por Catarina

terça-feira, novembro 24, 2009

Para mim;

Nasci em Jaú, dia 10 de janeiro, em 1992. Uma sexta feira, às 5h30 pós meio dia.

“Acho que não sei quem sou, só sei do que eu não gosto.” Tenho me afirmado a partir disso. Tenho permitido não me cobrar. Passei a me entender depois que deixei de querer ser entendida. Minhas opiniões não são flexíveis. Mas mudam, conforme a minha mudança. Eu sou uma pessoa absolutamente medíocre, assim como todas as pessoas normais desse mundo. Muitíssimo encabulada e talvez seja o que me diferencia da família. Sou hipócrita, e duvido que você não seja.

Sou fruto de um casal jovem. Andrea e Marcos. Casaram-se jovens. Ela com 15 e ele com 19. Minha mãe foi uma mulher linda. Baixa, olhos castanhos esverdeados, franja nos cabelos lisos que foram encaracolando com o tempo, nariz arrebitado e um sorriso inocente, infantil. Agora, nos seus 35, eu já contemplo algumas ruguinhas, o nariz menos arrebitado, a boca mais murchinha. O sorriso, não sei de quanto tempo pra cá, passou de inocente para triste. Ela é como boa parte das mães deveriam ser; fala palavrão, é risonha, brinca, confidencia, é dedicadíssima, cozinha muito bem e tem um apreço enorme pela casa. Já meu pai, é tão branco que chega a ser vermelho, ele é ruivo. Não muito alto, também. Agora, se eu te disser que eu não o conheço, vai achar que é mentira minha. Não conheço por que ele quase não se articula. “Entra mudo e sai calado”, assim eu costumava me referir a ele quando pequena. Ele, infelizmente ou não, não participou da minha infância com momentos positivos, continua mantendo esse ritual de me deixar más lembranças em sua presença. Eu acho que gosto mais dele por telefone, quando eu o atendo por acaso, normalmente quando não reconheço o número de telefone. Pode parecer incrível indiferença da minha parte não atendê-lo, mas a conversa não é comigo, a não ser quando ele deseja algo que só eu entendo. Ainda que eu relute acreditar, dizem que eu me pareço muito com ele. Quiçá seja por isso que nos atritamos tanto. É a minha teoria das peças de um quebra-cabeça. Precisam ser, necessariamente, diferentes pra se encaixarem, caso contrário, elas só se atritam e isso, muitas vezes, não é lá muito interessante.

Já ouvi dizer que sou simples, mas trabalhosa. Ouvi também que sou um cubo mágico sem resolução. Admito o meu orgulho, o meu “calculismo”, as minhas análises constantes, meus atos inescrupulosos, meu excesso de realismo, o qual acaba por ser pessimista, sou cabeça-dura, extremista. Admito minha complicação também, minhas fases, minhas incertezas, minha instabilidade, meu mau humor, minha chatice, minha obscuridade, meu egoísmo, egocentrismo, narcisismo. Não me esquecendo do sarcasmo, nem da ironia. Tenho certos problemas com a sutileza. Ela não tem me mandado lembranças já há algum tempo. Confesso que me acho um tanto previsível, mas me surpreenderam ao me chamar de “caixinha de surpresas”. Não sou indiferente, embora pareça ser. Eu penso demais, sou reservada demais. Tento me atentar aos detalhes. Afinal, não são eles que fazem a tal da diferença? Eu tento ser imparcial, não gosto de influenciar. Gosto de mandar, mas não gosto que me obedeçam. Prefiro o charme à beleza. Tenho minha velha opinião formada sobre tudo, ainda que eu me mantenha em metamorfose. Prefiro livro a uma bolsa. Apaixono-me por palavras. Permito-me apaixonar, ainda que eu não me entregue como eu deveria. Procuro ser qualitativa. Não sou intensa, tento me ponderar, me proteger (e que se danem as ênclises). Sou grossa, pessoas não sabem lidar com sinceridade sem a meiguice pra acompanhar. Não cobro entendimento alheio, não idealizo, sou até compreensível, me controlo, relativamente, bem.

Nunca acreditei em amizades verdadeiras. Acredito num sistema o qual consiste numa troca mútua de interesses. Sejam eles quais forem. Somos todos prostitutos. Promíscuos. Dificilmente mantenho amizades, sou exigente, e qualquer atitude que vá contra meus valores essenciais, eu vou me dissolvendo, me distanciando. Deve ser por isso que nunca tive melhores amigas. Por isso que não mantive alguém de fato. Pago psicóloga. Quando eu quero, eu quero. Até enjoar. Seja com comida, seja com pessoa, seja com música. Poucas foram as coisas que não enjoei. Portanto, aconselho que vá mudando junto comigo. Não me cobre a postura inicial. E não tente me entender, você não vai conseguir. Eu não me entendo.

Eu ando na minha melhor fase MPB. Tenho minhas crises existenciais. Admiro os pingos da chuva entrando pela minha janela. Li três vezes um mesmo livro, que me passou três sentidos diferentes. Em fases diferentes. E estou pra ler a quarta. Meu senso crítico é peculiar. Odeio clichê. Mas odiar o clichê é um clichê. Simpatizo com política. Não vou com a cara do Socialismo. Liberdade, para mim, não existe. E estamos cada vez mais alienados. Cada vez mais submersos. Religião é um caso sério. O Direito é lindo. E o errado também. Sinto de não ter ido a shows como o da Elis, da Cássia, do Cazuza, por enquanto.

Poucas pessoas me conhecem. E as que conhecem, sabem do “básico”. Não tem como saber muito daquilo que de permanente, só há a mudança. Eu estou tentando me conhecer. Não se precipite. Aos olhos do senso comum, sou o rostinho bonitinho que fala de maquiagem, dos porres que teve, quantos caras pegou e ouve Black Eyed Peas essa semana e, na próxima, o que estiver no Top 10. Só.

Talvez essa descrição tenha mais de “Talita”, a mais cética de mim, a mais pessimista, fato o qual serve de explicação para a quantidade de aspectos “negativos” aqui apresentados, ou não.

Por Elas

segunda-feira, novembro 23, 2009

Há tempos que eu estou sem postar. Até tenho textos para fazê-lo, mas nada que indique extremo sentido. Por já ter esse certo tempo, venho pensando em algo digno de se postar. Não foi por faltar idéias, mas, talvez, pela confusão dos dias e dos meus “eus”. Eu não sei o motivo de me explicar, mas me explico mesmo assim. Essa noite, ao passar em claro, confesso que tive milhares de construções. E nessa minha promiscuidade com a cama, pensamentos aparentemente vagos, ou nem tanto assim, variavam desde uma “auto-descrição” até o retrato do ambiente familiar dos últimos tempos. Uns eletrodos com a função de passar para o papel tudo o que for arquitetado hão de ser inventados, se é que já não foram.

Às vezes, quando as pessoas não me irritam, ou não me são, no mínimo, indiferentes, elas me servem como válvula de escape. Não é tão divertido ir deitar às 3h, dar trabalho para a cama enquanto ela conta quantas vezes eu me reviro até às 4h, trocar SMS até 5h30 e conseguir, de maneira magistral, cochilar nos meus 30min restantes. Ainda assim, acordei antes do despertador e esperei a mãe vir chamar.

Eu gostaria mesmo é de escrever um texto com a mistura de todas elas; o ceticismo da Talita, a imparcialidade do olhar por fora da redoma da Anita, o romantismo, como soluto, da Monteiro. Já o aspecto “super-saturado-instável” comum a todas elas que tem o mau humor como corpo de fundo.

Por nós

terça-feira, outubro 27, 2009

Quinta, 03 de setembro, mais da metade do ano, 9h45, exatamente. Embriologia. Calor. Bela tentativa do ar condicionado em ventilar alguma coisa. Exaustividade crônica. Sono atrasado. Algumas provas ainda por fazer. Redações também. Mudanças bruscas de humor. Ela dizia não saber o motivo de fato, ou talvez soubesse. Questões a responder.

Vantagem do “data-show”: mudança de lugar e, por conseqüência, novas conversar. Garoto, um ano mais novo. Dois anos e cinco meses de namoro. Visível exaltação enquanto lhe respondia algumas perguntas. Observava a dilatação das pupilas. O movimento da mão direita com a caneta e a esquerda apoiada na carteira defronte ao rosto, como se quisesse se proteger de algo. Movimento constante das pernas. Para ela, as brincadeiras perante o número de perguntas era uma forma de se desvencilhar. Ela não se importava se havia sinceridade ou não nas respostas. Quiçá se interessasse pelo motivo que o levava a omitir. Estava se esforçando para não ser tão invasiva e as perguntas, eu juro, eram um tanto superficiais.

Não teria aula a tarde, ou até teria. Mas veriam filme. E no outro dia teria mais duas provas. Não preciso explicar.

Desconsidere a possível inutilidade do texto. 12h02.

Por Anita,
talvez.

terça-feira, outubro 20, 2009

Coordenada e abscissa encontram-se na origem. E só na origem. Antes disso, sabiam-se relacionadas por uma ou outra função, mas, sem a união, vinham do infinito negativo. O destino, por sua vez, vem bidimensional e totalmente decidido a conspirar para uni-las. Embora sejam responsáveis pelo chamado plano cartesiano, depois do encontro, seguem sem rumo ao infinito, sem plano algum, apenas resquícios de memórias e, talvez, saudades. Frutos de uma colisão inesperada, não obstante desejado. A partir do momento em que se encontram, mudam seus sinais de negativo para positivo, e o crescer continua.

Fiz-me coordenada e tu, abscissa. Antes de encontrar-te, o universo conspirou e insistiu em proporcionar um encontro. Em um belo dia, nem tão belo assim, pela atração que apenas as forças de Van der Waals poderiam causar, vieste a mim. Chamou-me pela nomenclatura mais adequada e isso fez nascer algo tão intenso quanto uma Ligação de Hidrogênio. Uni-me a ti intermolecular e instantaneamente. Verdade seja dita, apaixonei-me.

E agora, mesmo indo rumo ao infinito, sendo este tão mítico e desconhecido por meu frágil intelecto humano, ainda há uma função que nos ligue. Algo como:
CONFUSÃO DE SENTIDO x PERFUME + TÔNICA
e tal equação me faz inerciar, hesitar em partir. Quando me qualificaste como perfeita em tua concepção, criaste esperança. No entanto, o sujeito por quem tenho a maior admiração, não me quis.

Por algum motivo não te conquistei como conquistaste a mim. Mas olho ao redor e incessantemente me espelho em Y, porque, mesmo sem querer, tudo te transforma em meu “x”.

Por Ana Carolina Oliveira

domingo, outubro 18, 2009

Esquimós possuem centenas formas para se referirem a neve. E nós, centenas de formas para nos referirmos a relacionamentos. Não entendi o porquê de tanta necessidade de definir; sendo que cultivar algo sem ter a plena consciência daquilo era bem saudável também. Não desconsiderava a ideia de que saber onde pisa gerava certa estabilidade, mas não saber, gera emoção.

6 de julho, 23h58

Por Talita

sábado, outubro 17, 2009

O twitter acaba com a vida da gente...

Por Talita

terça-feira, setembro 29, 2009

"A palavra "egoísta" pode parecer demasiado branda para se aplicar a casos tão extremos como o canibalismo, muito embora estes se ajustem muito bem à nossa definição. Talvez possamos sentir uma empatia mais direta com o conhecido comportamento covarde dos pinguins-imperadores na Antártida. Observou-se que eles permaneciam de pé à beira d'água, hesitantes antes de mergulhar, em virtude do perigo de serem devorados pelas focas. Bastava que um deles mergulhasse para que os demais soubessem se ali havia ou não uma foca. Mas, naturalmente, nenhum queria servir de cobaia, de modo que todos ficavam esperando e, às vezes, chegavam mesmo a tentar empurrar-se uns aos outros para dentro d'água."

O gene egoísta, pág. 44
Por Richard Dawkins

sexta-feira, setembro 25, 2009

A prisão de cada um

"Viver sem laços igualmente pode nos reter. Uma vida mundana, sem dependentes pra sustentar, o céu como limite: prisão também. Você se condena a passar o resto da vida sem experimentar a delícia de uma vida amorosa estável, o conforto de um endereço certo e a imortalidade alcançada através de um filho.

Se nem a estabilidade e a instabilidade nos tornam livres, aceitemos que poder escolher a própria prisão já é, em si, uma vitória. Nós é que decidimos quando seremos capturados e para onde seremos levados. É uma opção consciente. Não nos obrigaram a nada, não nos trancafiaram num sanatório ou num presídio real, entre quatro paredes. Nosso crime é estar vivo e nossa sentença é branda, visto que outros, ao cometerem o mesmo crime que nós - nascer - foram trancafiados em lugares chamados analfabetismo, miséria, exclusão. Brindemos: temos todos cela especial."


Por Martha Medeiros

domingo, setembro 13, 2009

Eu tô no veneno, eu tô sem astúcia. Questionando-me a todo tempo. Não considerando mais o presente como uma dádiva. Eu quero o meu futuro. Tô pagando pra ver meu futuro. Pouco me importando como vou chegar, desde que eu chegue. Estou em busca de atuar como figurante nas teses que envolvem o que somos, onde estamos e o porquê estamos fazendo. Como já disse Schopenhauer, simplesmente representar, sem causar muito alvoroço. Quero saber se vou me desvencilhar. Ou se vou acabar numa só veia. Se eu vou morrer cedo, como eu sempre achei, independente de como.

Quero saber qual o ópio que vou chamar de meu, se será você, se será eu, se serão meus frutos. Anseio por ver o mundo daqui uns anos. Ver a ciência se confirmando, ou o Apocalipse, plenamente dito. Ver a prévia do nosso “admirável mundo novo”. Nosso “1984”. Não que eu esteja a comemorar, mas não acredito que seja tão evitável assim. Se é que já não estamos na tal prévia; e que de tão entranhados que já nos posicionamos na aranha capital de Marx, não percebemos mais nada, devido à singular aptidão de granjear a falsa consciência. Quero ver se nosso “Brasil brasileiro” continuará com a tradição de golpes, iniciada lá em 1981 com o nosso querido Deodoro da Fonseca favorecendo dinheiro público a um amigo. Quero ver os Lulas que virão. Se ainda teremos gloriosos chefes de Estado alcoólatras aprovando Leis Secas, ou ainda, analfabetos aprovando Reformas Ortográficas, uma vez que a desculpa utilizada por aqueles que são aversos ao mérito e ao esforço é de que "a língua portuguesa é difícil", a decisão política foi simples: destruam a língua portuguesa, assim é mais fácil justificar o fracasso do ensino público, minado pela falta de dinheiro para melhores salários de professores e melhores infra-estruturas nas escolas. Dinheiro esse que vai para o pagamento de juros (mais alto do mundo) que sustenta o Real do Estado dos concursos públicos e cargos comissionados.

Quero ver também se manteremos o conceito de felicidade já formado (dois filhos, dois carros na garagem, carreira bem reconhecida e uma alta conta bancária). Ver se continuaremos a não “falar com estranhos” e nos contradizermos ao guiar toda nossa (pseudo) liberdade através do telefone móvel, cada vez menor, mais fino, mais rápido, mais prático, mais funcional, mais.

Por Talita

terça-feira, setembro 08, 2009

Sorrisos à parte, matéria por copiar. Não lhe era de extrema necessidade o fazer. Fome, ansiedade, celular, novidades, hipocrisia. Planos e todos os sonhos do mundo.

Maquinava incessantemente como seria o decorrer do ano que vem. Tanta coisa ela poderia mudar, tanta escolha para fazer. Uma mudança (pseudo) completa lhe faria especialmente bem. Novos ares. (...)

Havia se desconcentrado do texto conforme o andamento da aula de gramática. O professor parecia mais simpático depois de ter lhe entregue a nota. Mais sorrisinhos e sem enchê-la pra copiar a matéria. Sem contar na atenção especial perante as perguntas, por mais aleatórias que fossem. Desde derivação imprópria, até religião.

Apesar da irritação com a futilidade da conversa alheia, tentava se nutrir “sóbria” e bem humorada, vinha se mantendo assim por dias. Inabalável – ainda que estivesse acontecendo o que fosse. É o momento dela, e de mais um milhão. Mantenha-se.

O professor colocou um trecho de Chico Buarque na lousa – inevitável não lembrar-se dele. Devido ao sorriso, o professor perguntou-lhe se gostava e, ao olhar o que escrevia, se preferia estudar pela apostila. Ela, na verdade, não estudava essa disciplina, mas ele não precisava saber disso. Questionou-lhe também se pretendia escrever um livro. Ela respondeu um simples “porque não?”. Aconselho-lhe a criar um blog e ela, com um sorriso escancarado de vergonha, disse que já o fazia. Só não podia lhe passar o endereço, assim como ele havia pedido, visto que vários textos comentavam sobre sua rapidez exorbitante.

Por Anita
Não é só carne, mas também. Não é o arrepio que me provoca, nem o aguçar de todos os meus sentidos quando estou contigo. O problema está não só na sua pele, não só nas bobagens que me fala, nem o olhar que muitas vezes é incógnita, e que muitas outras vezes já deixou de ser. Não são só suas mãos, nem o seu cabelo, muito menos o seu sorriso retratando sua satisfação, ou suas bobeiras, ou suas “maldades”. Não são seus “braços, beijos e abraços, pele, barriga e seus laços”. Não é a espessura da sua boca, nem a nuca. Não é nem o que eu sinto, todo o carinho, todo o apreço. Não é a segurança, nem o prazer. Nem o planejar, nem toda a liberdade que me proporciona, nem todas as risadas, nem todas as piadas internas. Não é toda a idéia de “nosso”, nem o jeito que pega no meu cabelo. Não é nem todo o resto, mas também.

Por Srta. Monteiro

domingo, setembro 06, 2009

E aí, diante da imensidão do meu quarto, encontro-me aqui, reunindo todas as lembranças possíveis. Acabo de falar com você. Novas injeções para continuar. Perante de todos os acasos que ainda me encaminham a ti. Na tentativa constante de me policiar o suficiente para não desabar. Eu não tenho mais seus braços.

"- Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz!"

O Pequeno Príncipe, cap. XXI. Antoine de Saint-Exupéry

Por Srta. Monteiro

terça-feira, setembro 01, 2009

Geração prevista

Um salve às aulas de Gramática com o professor estupidamente rápido – ironia à parte.

Vejam só: primeiríssimo dia de setembro, mês 09. Passamos por nove meses numa velocidade surpreendente. Acho que até mais que o ano passado. Tudo bem, parece muito “frase feita”, mas...

Por mais relutante que nos mostramos ser, acredito que “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”. Ainda que tentemos ser diferentes, ainda que façamos revoluções sem causa, ainda que busquemos “melhorar” em alguns aspectos. Sempre – ou não – manteremos a velha essência já adquirida em outros invernos. E, talvez, seja como eu disse, realmente, mantemos a essência buscando aperfeiçoar os acabamentos que restaram. Somos o futuro provável da nação. A outra geração Coca-Cola.

Eu mesma, no limite dos meus jovens 17 anos, não gosto de “fazer acontecer” sabendo dessa idéia. Creio que exista algo dos meus formadores inerente a mim. E que, daqui uns anos, acredito que eu verei ocorrer o que ocorre com os demais: reflexos perto da perfeição de seus, ainda que pareçam infundados, heróis.

Pensando bem, é completamente compreensível. São os únicos espelhos que temos durante a formação. Até certo momento, nos vimos espremidos com os valores e ideais sendo inseridos pelos de casa. Por conseguinte, obtemos melhores conhecimentos no colégio. Refletimo-nos em nossos professores e colhemos aspectos de amigos, plantados por outros formadores e, ainda assim, aquela essência depositada anteriormente é sustentada.

Não vou mentir, tento me retirar desse ciclo conseguindo minha “falsa consciência” em outras prateleiras. Fazendo uso das minhas conversas de roda para expor minhas opiniões “díspares”. Hipocrisia? Talvez.

Por Talita

segunda-feira, agosto 31, 2009

Sala 101

“- Uma vez me perguntaste – disse O’Brien – o que havia na sala 101. E eu te disse que sabias a resposta. Todos sabem. O que há na sala 101 é a pior coisa do mundo.

A porta tornou a abrir-se. Um guarda entrou, trazendo algo feito de arame, uma caixa, ou cesta. Colocou-o na mesa distante. Por causa da posição ocupada por O’Brien, Winston não pôde enxergar bem o que era.

- A pior coisa do mundo – disse O’Brien – varia de indivíduo para indivíduo. Pode ser o sepultamento vivo, a morte pelo fogo, afogamento, empalamento, ou cinqüenta outras mortes. Casos há em que é algo trivial, nem ao menos mortífero.

Afastou-se um pouco para o lado, de modo que Winston pudesse ver melhor o que estava sobre a mesa. Era uma gaiola de arame, retangular, com uma alça em cima. Fixado na frente havia um objeto que parecia uma máscara de esgrima, com o lado côncavo para fora. Embora estivesse a três ou quatro metros de distância, Winston pôde ver que a gaiola era dividida longitudinalmente em dois compartimentos, e que em cada uma havia um animal. Eram ratazanas.

- No teu caso – disse O’Brien –, a pior coisa do mundo são ratos.

(...) O’Brien aproximou a gaiola. Estava a menos de um metro do rosto de Winston.

- Apertei a primeira alavanca – disse O’Brien. – Compreendes a construção dessa gaiola. A máscara adapta-se à tua cabeça, sem deixar saída. Quando eu apertar esta outra alavanca, a porta da gaiola correrá. Os monstros famintos saltarão por ela como balas. Já viste um rato pular no ar? Às vezes atacam primeiro os olhos. Às vezes abrem caminho pelas bochechas e devoram a língua.

(...) Tarde demais, tarde demais talvez. Mas compreendera de repente que no mundo inteiro só havia uma pessoa a quem transferir castigo – um corpo que podia colocar diante dos ratos. E pôs-se a berrar freneticamente, repetidamente:

- Faze isso com Júlia! Faze isso com Júlia! Comigo não! Júlia! Não me importa o que faças a ela. Arranca-lhe a cara, desnuda-lhe os ossos. Não comigo! Com Júlia! Comigo não!”

1984, cap. 22. George Orwell

E em sua sala 101, o que haveria?

Por Talita

sábado, agosto 29, 2009

Eu acharia interessante se eu falasse sobre a banalização do amor, embora já esteja banalizado falar da banalização do amor. Queria falar do quanto está saturado escrever sobre a dor, mas falar do “falar da dor”, está saturado também. Eu queria, ainda que seja por mais uma vez, dizer que somos um clichê, mas o clichê maior é “clichê” pronunciar, e eu sei disso. Tratar da melancolia é um tema batido, porém o tal dizer faz-se um tema passado. Eu queria dizer que nossos conceitos sobre política, ainda não passam de senso comum, mas é um grande senso comum isso ser notado (e negligenciado). Eu queria dizer que adquirir cultura é, ou talvez seja, um costume antigo, mas insistir nessa ideia é ser ultrapassado. Nós somos os “sabe tudo”, mas nunca vi tanto conhecimento assim, inerte, vedado.

Por Talita

terça-feira, agosto 25, 2009

L'amour

Carla Bruni - L'Amour
Found at bee mp3 search engine




Peço, encarecidamente, que desconsidere as proporções e qualquer erro aparente. 22h46, acabei de fazê-lo. Tossindo feito louca e tenho aula amanhã.

Por Talita

segunda-feira, agosto 24, 2009

A fim de inovar? Mantenha!

E aqui estamos: inseridos até a cabeça no nosso mundo contemporâneo, o qual fez por merecer, talvez único e exclusivamente, o rótulo de “Sociedade Clichê”. Essa palavrinha tão gostosa de falar provinda do belíssimo francês, palavra a qual me arrepia a espinha – os que estão à minha volta, sabem o quão terror ela me provoca. Para marcarmos de fato o início dessa conversa, façamos a análise de que não existimos, não somos; Apenas representamos. Uma concluída representação do que já foi feito, do que já foi vivido, à sombra do que já foi bom, às sombras do vanguardismo, tão somente um clichê, não? Acredito que seja comum, tanto pra você quanto pra mim, ouvir por aí que somos inovadores. Cada vez mais no topo da tecnologia. E ainda tem gente que bate palma pra isso tudo – e assim, como venho aprendendo nas minhas deliciosas aulas de Sociologia, eu não me excluo.

Hoje, a diferenciação é a moda vintage. Aquela, sabe? Derivada dos séculos passados. A maravilhosa Wikipédia conceitua: “Moda retrógrada. Uma recuperação de estilos dos anos 20, 30, 40, 50 e 60”. Será mesmo uma recuperação? Ou “panela velha é que faz comida boa”? Sinceramente, eu apostaria em que tudo isso se trata de uma cópia gigantesca. Que tal ser a aceitação de algo que passou foi realmente bom e estava esquecido? Os botões, as listras, os óculos, os tênis, as batas, os vestidos, as combinações de cores, o xadrez! Talvez o tal do vintage tenha deixado de ser moda “antiga” e ocupado o lugar a fim de apreciar o “velho”, não obstante a nossa incapacidade de criar.

Para facilitar: ou apreciamos o lixo atual – com suas raras exceções, ou vivemos intensamente em nossa rodinha clichê. Estamos num ciclo vicioso, numa mesmice. Na novela, o mocinho sempre passa por altos e baixos e, no fim, vive feliz para sempre com o seu amor. Aos olhos da nossa belíssima justiça, os poderosos são inocentes, os menores infratores são somente crianças. O Estado é culpado, o presidente também. Sem contar na superlotação das cadeias. No horário eleitoral, ou nos submetemos ao “Caro povo brasileiro” ou desligamos a TV. E aí, não muitos meses depois, ficamos perplexos diante de frases tais como “esse dinheiro não é meu”, ou nos contentamos com um “boa noite e até amanhã” sem saber o real destino dos questionados. No outro dia, a Fátima virá com mais “notícias” e a tal impunidade, a qual deveria ser lembrada, cai no esquecimento depois do próximo anúncio. Mas os clichês não. Ah, os clichês... Esses continuam com louvor: “O que acaba com o Brasil é a corrupção”. Essas são as tendências: fazer da rotina um jargão. Tornar da contemporaneidade o senso comum da vida. Fazemos isso porque somos parte do “mundo dos espertos”. Pulamos na merda - desconsidere a linguagem, por favor - e estamos nadando de braçada nela. E pouco importa se iremos sair dela ou não, cabe a nós nos mantermos e aproveitar o momento. “Viver cada dia como se fosse o último”, até o Carpe Diem (aquele que diz para colhermos o dia e aproveitarmos o momento) que dispunha de várias interpretações caiu nessa lástima. E assim, aceitamos as condições por total conveniência ou dificuldade no raciocínio.

Contudo, termino como comecei. Afinal, “brasileiro não desiste nunca!” e viveremos todos na incumbência de por um ponto final em nossos dias logo após a um reluzente “felizes para sempre”.

Por Talita

domingo, agosto 23, 2009

Faz tempo que eu venho me preocupando mais em estar do que ser. E agora eu estou preocupada em estar sentindo – perdoe o gerúndio. Sentindo qualquer coisa. Medo, calor, fogo. Algo que me faça rir ou chorar por qualquer motivo que me baste. Estou na busca de um coração que bata, ou apanhe. Alguma rua que me direcione a algum lugar realmente sólido. E que, nesse lugar, eu possa me restabelecer, definir minhas bases e me agarrar a elas com toda a força que ainda me resta. Nem que eu precise resgatar algumas forças do passado, é só pra me apoiar mesmo.

Ouvi dizer que eu não expresso mais os fatos que me acontecem, só relato. Como se eu estivesse completamente fora da situação. Deixando em ênfase toda a minha frieza diante daquilo.

Talvez continue intacto, não sei até quando. Eu só estacionei, e passei a andar mecanicamente. “Stand by”, sabe? Piloto automático, ou como quiser chamar.

“Milhões de frases sem nenhuma cor” – talvez não haja frase melhor que se encaixe.

Por Mim/Desconhecido

ps.: (mais que qualquer vez que eu tenha dito) volta.

sábado, agosto 15, 2009

Não sei se você continua pondo a mão na boca pra gargalhar. Não se você continua sentindo arrepio na orelha. E também não sei se você lembra como nós chamávamos isso. Não sei se você continua a não sentir cócega. Não sei se você continua com preguiça de fazer a barba. Não sei se continua fanático por futebol. Não sei se ainda lembra-se de mim quando usa as roupas que fui contigo comprar. Não sei se você continua a usar o mesmo desodorante de embalagem preta e marrom. Não sei se você ainda continua com as mesmas manias, mesmas opiniões. Não sei se você ainda continua dormindo repentinamente em qualquer lugar. Não sei se você tem se alimentado direito. Não sei se você continua não gostando de mandar mensagens no celular. Não sei se você continua com as mesmas brincadeiras. Não sei se você conseguiu zerar mais ainda aquele jogo que você era viciado. Não sei se você continua não gostando Coca-Cola. Não sei se você continua fazendo aquele seu brigadeiro de panela e comendo com colher. Não sei qual o curso que você está fazendo agora e qual o próximo que você pretende fazer. Não sei pra quais lugares você tem ido, quais lugares tem conhecido. Não sei se você continua a fazer o açaí daquele jeito que eu gosto. Não sei quais tem sido os seus sonhos, os seus planos. Não sei como tem sido a sua vida.
Isso é saudade.

Por Srta. Monteiro

domingo, agosto 09, 2009

Carreiras - com "B"

Que me desculpem os decididos que nunca passaram por isso. Não que eu seja pessoa mais indecisa – já vi muitos piores que eu. Mas é que vai chegando essa época do ano e eu vejo o vestibular gritando de tão perto. Não é o meu ano de decisão definitiva, mas por conviver com pessoas que vão prestar, o desespero vai batendo e aí aquela perguntinha insiste em me pairar: “o que eu vou ser quando eu crescer?!”.

Olha, já pensei em ser muitas coisas. Cogitei ser cabeleireira, quando eu ganhei aquela boneca que só tem a cabeça, um cabelão louro e um kit de maquiagem. Astronauta, quando eu soube que pisaram na Lua. Veterinária, quando a Susi – uma cachorrinha que eu ganhei nos meus 3 anos –chegou. Ginecologista, quando eu fiquei sabendo que poderia fazer parto. Pensei em viver de música, quando comecei a aprender meu primeiro instrumento. Fazer qualquer coisa e morar nos Estados Unidos, assim que eu entrei na aulinha de inglês. Pensei em ser modelo, mas aí me olhei direito no espelho e vi que eu era baixa e gordinha demais. Depois, pensei em ser modelo fotográfica, mas aí me olhei direito no espelho de novo e vi que meu rosto era redondo demais e que não tinha nada de diferente. Achava que seria legal ser estilista, ao desenhar minhas modelos com roupas “diferentes” de cintura finíssima, peito grande e quadril largo. Talvez fazer da natação uma profissão seria divertido também, aí então comecei a fazer aula. Desisti. Eu era muito gordinha e usava um maiô preto e branco e quando íamos brincar que o tubarão ia atrás dos peixinhos, sempre me encarregavam de ser a baleia – eu não achava muito interessante. Professora de alguma coisa já me veio à cabeça, quer coisa mais bonita que ensinar? Entretanto me lembrei de como os coleguinhas de classe falavam mal das professoras. Desisti também. Bombeiro, mas tinha medo de morrer queimada. Polícia Militar, mas tinha medo de morrer com tiro, ou esfaqueada, ou sei lá. Médica de alguma coisa, mas eu morria (aliás, morro) de medo de agulha/sangue/veia. Quis ser engenheira, quando acompanhei de perto a construção da casa de uma amiga. Escritora, mas só quando eu escrevia meus textos de três páginas e achava que estava estupendo. Viver de arte, quando pintei meu primeiro quadro. Artes Cênicas, depois de ser aplaudida na minha primeira peça na escola (Rei Arthur, eu era a bruxa principal). Cantora, depois de assistir àquelas criancinhas indo ao Raul Gil. Relações Internacionais, quando eu soube do que se tratava. No auge da minha 4ª série, ao ver a tal da Suzane von Richthofen sendo acusada de duplo homicídio triplamente qualificado, pensei em ser juíza. E desde então, mantive a opinião.

A partir disso, fui levando em consideração a idéia, dando ênfase ao que eu ia bem na escola. Destacava-me claramente em Humanas. Pesquisei sobre a profissão, li alguns livros e comecei a admirar de verdade a possibilidade de ser uma cidadã investida de autoridade pública com o poder para exercer a atividade jurisdicional.

Contudo, de uns tempos pra cá, comecei a traçar um estilo das pessoas que passam no vestibular de Direito. Hei de admitir, não são lá muito parecidos comigo. Inteligentes demais, talvez. Embora eu tenha enfraquecido, não desisti. Muitos acasos me levam a não desistir. Quiçá eu ande precisando de umas injeções de ânimo e determinação. Enquanto isso não acontece, uma futura arquiteta, quem sabe. Psicologia deve ser legal. Jornalismo também. E Fisioterapia? Gastronomia é atraente também, imagina?

Por Talita

quarta-feira, agosto 05, 2009

E cá estou: na escuridão do meu quarto onde você já esteve. Não querendo ver meu rosto exausto e estampado de saudade no espelho, nem na claridade do dia. Visto-me com um sorriso forjado e extremamente convincente a todos que aqui entram.

Perdoe os meus textos repletos de pesares, o que está por dentro fica um pouco mais difícil forjar.

Encontro-me numa maratona de filmes. Alguns deles, filmes de mulherzinha, eu confesso. Tentando me confortar/completar com todas as recordações que tenho. Desde o primeiro abraço até a minha última imagem sua. Mantendo qualquer tentativa de prever algo, como, se assim, eu me revigorasse e sentisse toda aquela angústia pela espera da volta.

Acredito na mudança, acredito em nós, acredito no amanhã. Eu vou ficar bem, você, idem. Nós ficaremos. Como eu já lhe disse, você foi a pessoa mais importante e eu espero, com toda a minha sinceridade, que continue sendo.

Volta.

Por Srta. Monteiro

segunda-feira, agosto 03, 2009

21h59, 3 de agosto, uma segunda feira qualquer.

Sentia-se dividida numa gangorra. Parte dela estava lá no alto, comemorando. Tão feliz que o sentimento de culpa se fazia presente ao olhar pra outra ponta da gangorra. E depois, ao observar por fora o que estava em cima e embaixo, parou pra analisar o quão traiçoeiro o destino é. Não que ela acredite muito nesse papo de destino, mas não deixa de acreditar também. Dificilmente para pra pensar nisso. Dificilmente achará uma resposta que lhe convença. Portanto, sempre deixou estar.

Justo agora que ela tinha achado algo/alguém pra se completar? Justo agora que se sentia apta pra completar algo/alguém? Cobrou o destino sua vida inteira por isso. Embora tenha alguns empecilhos, nada tão relevante a ponto de tirá-la da ponta alta da gangorra. Não custava à outra parte continuar do jeito que estava, sem oscilar e cair. Entrar em equilíbrio, talvez. Garanto que não seria uma má idéia. E um shot de felicidade plena faz bem, às vezes.

Deparou-se com a quantidade de fatos que tinha de relatar. Possuía mesmo a necessidade de fazê-lo. Por mais lânguido que pareça/seja, ela não sabia quando partiria e sentiria imensa gratidão para com os que lessem e contassem suas histórias. Deixaria um rastro de lembrança em vida e após. Ou não só nesse caso, vai que lhe falte a memória. (...) Lembrara de uma parte de um filme que assistiu por várias vezes: Diário de uma paixão, que dizia, bem no finzinho: “The history of our lives by Allison Hamilton Calhoren. To my love, Noah. Read this to me, and I’ll come back to you”. A personagem manteve um diário durante o ápice de sua paixão, relatando tudo o que viveu com o amor de sua vida. Ela perde a memória e foi internada. Ele, são, vai morar com a Ally no hospital e lê para ela todos os dias uma parte do diário, fazendo assim, com que ela se lembre ás vezes de quem ele é e o quanto o ama. Muito mel com açúcar, eu sei. E ela também admite ser. Quiçá fosse a ponta baixa da gangorra que a fragilizou. Quiçá não.

Por enquanto, só.

Por Anita

quarta-feira, julho 29, 2009

28 de julho, terça feira. 22h12.
O dia que eu menos esperava chegou. Reafirmo sem qualquer ironia, caso tenha interesse. Encontro-me aqui: na sua cidade, na sua casa, no seu quarto. Apossando-me de suas coisas e sua família, como se fossem minhas. Sem qualquer escrúpulo. Observando a vista da janela enquanto me aconchego em sua cama, aguçando o meu olfato pra poder sentir seu cheiro melhor em cada lugar que estiver ao meu alcance.

Inutilmente tento acreditar que vou ouvir seus passos na escada, ou ver você saindo do banheiro e vindo em minha direção. A Suki já cansou de me fazer companhia. Seus pais foram dormir. Seu primo mais novo atendeu o chamado da sua tia e foi pra casa. Sua irmã, depois de muito conversar comigo, foi tomar banho e deitar. A casa fica realmente muito estranha sem você.

Juro que só queria contar como foi depois que você partiu. Aposto que jamais imaginaria que sua irmã me chamaria pra ficar mais uns dias na sua casa. É, ela me chamou. Quer que eu fique até sábado, mas acho que minha mãe só deixa mais uns dois dias. Disse até que não ligaria se eu ficasse com você. Você há de concordar que as coisas se encaminharam muito melhor do que você idealizava. Até a que eu achei que não conquistaria, eu conquistei. Eu falo que sou a mulher da sua vida, mas você não acredita.

Está quase inevitável não deixar rolar uma lágrima na minha face ao lembrar de você. Não posso te mandar mensagem. Se eu te deixar algo por internet, vai demorar pra você ler. Eu quero você. Mesmo que por alguns instantes. Ver-te de longe, qualquer coisa. Mas você agora está num avião, cada vez mais longe de mim. E por um ano. Com uma nova família, novas amizades, novas experiências.

Eu repito quantas vezes você quiser, você foi a peça chave desse ano pra mim. A pessoa mais importante mesmo. Eu estou te esperando. Eu estou com saudade. Eu estou com o coração apertado a cada passo que eu dou, a cada olhar que eu lanço diante das suas coisas.

E agora, 00h08, estou pensando em como você está, quem está do seu lado. Durante o meu ouvir incansável de todas as nossas músicas.

Por Srta. Monteiro

quarta-feira, julho 15, 2009

Para você;

 Leoni - Os Outros

Inicialmente, venho por meio desta, expressar com satisfação cada contentamento que vivi em sua presença. Não interprete como forma de despedida, embora tenha todo o contexto; Mas acredite que seja um documento para se recordar com carinho todas as vezes que lhe faltar afeto de minha parte, para lhe fazer companhia enquanto eu não estiver. Para ler no fim de tarde, ou naquela madrugada sem ter o que fazer. Para encher seus olhos de esperança, assim como manterei os meus, e acreditar que o tempo passa depressa.

Por conseguinte, gostaria de lhe pedir desculpas por qualquer falta que eu tenha perpetrado. Todos os meus erros que possam ter acontecido sem eu me dar conta. E todos aqueles propositais cometidos em algum momento não muito afável. Caso tenha se esquecido de concluir, perdoe-me de toda ironia, grosseria, ciúme, esquivas e qualquer outro.

Faço questão que saiba o quanto eu gostaria de lhe dizer tudo isso, mas você bem sabe que os meus dedos em conjunto com o teclado são mais hábeis para tal. E seria bem provável que eu me esquecesse de algo.

Que seja levado em conta o quão clichê o amor é. Acredito que não vá ser muito diferente de tudo que já lera por aí sobre amor.

Saiba que cada vez que ler, eu gostaria de estar ao seu lado, segurando sua mão ou entretendo meus dedos no seu cabelo. Ou ler para ti. Como já fiz com outro texto. Mesmo que a leitura seja turbulenta, mesmo que eu não pare na cadeira, mesmo que me venha um nó na garganta.

Perdão se alguma vez lhe omiti algo, foi o que eu achei mais apropriado para o momento. Considere íntegra minha sinceridade em cada palavra que lhe redigi ou disse. Não desconsidere nossos momentos de exaltação. Riremos de todos eles depois, sem contar que contribuiu para nos conhecermos melhor.

Obrigada por todo o período até então. São Paulo, São José dos Campos, em casa. Sem deixar para trás todas as tardes inteiras que passamos conversando no MSN, as noites e madrugadas também. As horas no telefone. Todos os SMS. O DVD. Obrigada por cada parte do seu corpo. Mãos, braços, pele, boca. Obrigada por cada sensação e arrepio. Vejo necessidade em deixar claro que foram incríveis todos os dias em que acordamos juntos. Todas as risadas, todos os surtos, todas as piadas, inclusive as internas, todas as cócegas, todas as histórias. Enfatizo todos os beijos, todos os abraços, cafunés. Cada olhar. Cada sorriso. Cada toque. Cada lágrima. Cada colo. Seu cheiro e seu gosto que me fizeram dependente e que me entorpecem. Os filmes assistidos e os que tentamos. As músicas que ouvimos, ou só deixamos de fundo; E aquela que fizemos nossa. Aliás, gostaria que estivesse ouvindo agora.

Agradeço pelo blog, por todos os textos, até os que não falam sobre você diretamente. Talvez sejam mais seus que meus. Grata por fazer desfalecer boa parte do meu orgulho em relação a ti. Por me completar em todos os instantes em que me senti vazia. Por guardar um pouco de você em mim, no meu jeito, no meu olhar, na minha pele, nas coisas que eu falo.

Acredite, tentei me entregar por completo. E teria o feito com mais coragem se não estivéssemos propostos perante as condições.

Prometo contar com todo meu carinho as nossas histórias. Se estivermos juntos, ou não. Você está sendo uma das melhores coisas, se não a melhor, que já me aconteceu. Ao se lembrar de mim, não se esqueça, ainda que eu não demonstre direito, que eu te amo muito; E que você foi a causa e o efeito da maioria dos meus sorrisos.

Por Srta. Monteiro

terça-feira, julho 07, 2009

"Nas horas tristes, filho, não diga nada. Coloque um silêncio bem alto no aparelho de som. E comece a escrever bem baixinho.(Chorar até que pode, desde que não lhe embace a vista). Só não pare: tristeza é pra escrever. Tome posse dessa dor que é toda sua. Até que passe e venha outra mais bonita."
Para aprender a melancolia - http://parafrancisco.blogspot.com/

Por Anita

segunda-feira, julho 06, 2009

Esteve pensando: “se continuar assim, minhas férias dará um bom livro – ou nem tão bom assim”. Assimilava algumas conversas que lhe transmitiam segurança. Tinha algo que fugia do seu controle e que lhe deixava fora do próprio controle também. Depois de alguns minutos surtados, ria sem parar do que acabara de vivenciar “... mas que rir de tudo é desespero”. Diziam-lhe que sentiam saudades. Ela não precisava disso agora, estava entretida mesmo na sua variação de humor. Ainda que os textos imprimissem algumas coisas do interior, o que era impresso tratava-se apenas do que ela escolhia exteriorizar. Não sabia medir numa porcentagem pra transpor em algum parâmetro. Mas admitia ser pouco. Muito pouco. Admitia até algumas coisas as quais dimanavam sem querer e, que uns dias depois, relendo aquilo tudo, algumas bolhas de proteção faziam com que se arrependesse de ter escrito.

Bem que Heráclito dizia que não somos, apenas estamos. Esteve num humor esplêndido durante a madrugada. Foi só acordar que todo aquele esplendor desceu pelo ralo. Alguma coisa, aquela retratada no inicio do texto, que te deixava fora de controle voltara a atormentar. Era mais ou menos “a volta dos que não foram”. Não acreditava fazer algum sentido para alguém, nem para os mais próximos, mas talvez fosse exatamente aí que via a tal da graça.

Inconformada com o seu egoísmo, com sua vontade inconseqüente de guardar tudo numa redoma de vidro e observar de longe. Mas também, que divertimento teria? Assistir de longe os títeres se moverem descontrolados, sem harmonia nenhuma com os fios que lhe asseguravam. E por que não um pouquinho de emoção? Quiçá fosse isso: essa tal de emoção exacerbada que não sabia atinar. E não lhe era o mais simpático para o momento. Não condiz com a sua postura freqüente sair do controle. Querer gritar e descabelar uma terceira pessoa. Não pretendia o fazer. Entretanto, vontade era algo fácil de acionar.

Por Anita
Estava quase idêntica a imagem que tinha de escritoras quando pequena: cabelos presos num coquinho, uma caneca de chocolate quente saindo fumaça, uma blusona com calça de moletom, meia com chinela-de-vó, olheira. Mesa bagunçada, papéis rabiscados, canetas perdidas. Música ao fundo no computador cheio de página de pesquisa aberta. Faltavam-lhe os óculos. Mil e uma idéias. Embora fosse impossível colocá-las todas num papel visando algum nexo. Não lhe restava nada a fazer. Ninguém com relevância para passar o tempo. Nenhum site que lhe prenda a atenção. O sono disse que demoraria a chegar.

Sentia suas mãos atadas num nó cego. 8 horas – ou 5, caso tivesse um carro, enfim – mantinham-lhe longe do objeto de desejo. Nada viável que possa fazer. Pegar um ônibus com destino a Capital Universitária do Vale com o cartão de crédito que a mãe lhe liberava às vezes? Talvez não estivesse pronta pro esporro da volta. Ela não disse que melhoraria algo e que faria algo realmente bom, entretanto só gostaria de estar lá. Acompanhar.

Desde pequena, nunca gostou de estar nos bastidores. Ainda que soubesse que a presença desses que ficavam observando dos bastidores era imprescindível. Gostou sempre de fazer uma “participaçãozinha” especial. Ou pegar o papel principal, quem sabe. Não que ela adorasse se aparecer, todavia, venerava cultivar aquele sentimento de “olha, eu ajudei nisso... e deu certo!”.

Fazer mais que entender a flutuação de humor alheia. Ou dar aquele apoio moral. Nem que estivesse só por um abraço. Ou um “vai ficar tudo bem” olhando bem dentro dos olhos. Cantarolar baixinho algo que gostassem no final do dia durante um carinho no cabelo. Só para tentar confortar.

Tom Jobim e Elis Regina embalavam seus pensamentos vagos.

Por Anita

domingo, julho 05, 2009

Lembrou com perfeição do sonho retrasado. Era mais para retratar o ambiente, ficou realmente encantada com a sua imaginação. E achava tudo aquilo muito incrível, sonhar com um lugar que nunca viu.

Chegou com o sol forte da manhã. Ficou na recepção por um tempo falando com a recepcionista como se já se conhecessem há algum tempo. Tomou cappuccino com pãezinhos. Um pedaço de melancia, um suco de laranja e alguns morangos pra tentar bancar a saudável. Sempre tenta modificar a alimentação quando quer começar algo novo. Conversou com algumas pessoas desconhecidas enquanto esperava a chave do quarto.

Subiu, entrou no quarto. Deparou-se com uma cama de casal com um edredom branco e fofinho, quatro travesseiros e algumas almofadas pra deixar tudo mais aconchegante. Um criado-mudo sob um abajur de luz quente para cada lado da cama. Estirou-se sobre os edredons com a sensação de alivio enquanto olhava ao seu redor. E logo defronte, janelas imensas seguindo toda a parede. Fez questão de abrir as cortinas e respirar mais viva diante da claridade matinal que adora. Ao seu lado direito o banheiro e ao seu lado esquerdo um escada pra descer. Ficou perplexa com a sala. Era do jeito que apreciava: clara, decoração contemporânea com móveis de madeira, tapete, aparadores tabaco, almofadas e uma estante até o teto, repleta de livros. Embalagem de fast-food e um copo usado sobre a mesinha de centro ao lado de um monte de papéis que escondiam o controle remoto.

(...)

Em síntese era isso, ficou abismada com o hotel, apartamento; ela não sabia ao certo o que era de fato.

Caso queira saber, deu uma pausa muito grande entre a metade do texto e o fim. Esperou muito para terminar de relatar. Ficou a tarde inteira sem escrever, perdeu o fio à meada. Perdeu a vontade.

Por Anita

sábado, julho 04, 2009

No ápice de seu estado não muito agradável de humor, lembrara de como era bom ouvir Aerosmith. Fazia muito tempo que não ouvia. Para ela, isso significava muita coisa, já para o leitor, pode lá não fazer muito sentido.

Ontem, na velocidade de um estalo, percebera que o tempo não passava só para os demais. Fez questão de sair, almoçar sozinha, comprar tinta pro cabelo e observar as pessoas. Estava extremamente introvertida, desde a madrugada de quinta feira. Talvez soubesse o motivo, mas não fazia muita questão de saber. Talvez fizesse mesmo questão de qualquer medida paliativa. E assim o fez. Distanciar-se, pensar um pouco. O famoso programa de gordinha tensa, sabe? Comer o dia todo ao assistir TV, ou não assistir necessariamente.

Pintou o cabelo. Deixou-o no tom de uns dois anos atrás. Estava quase sentindo falta das nuances louras. Pintou a unha de vermelho escuro. Um tanto quanto agressivo. Frio. Planejava sair. Ver gente. Comemorar a aparência nova. Não é todo dia que se pinta o cabelo.

Mais uma promessa feita: retratar a última semana. Assim como ficou de falar sobre o final de maio (começou e não terminou, bem do seu feitio), estragaria tudo se o fizesse agora.

Já que não fluía, achou melhor voltar para o programa de gordinha tensa no sábado à tarde.

Por Anita
"Todo mundo sabe de alguma coisa que eu não sei
De um filme que eu não vi
De uma aula que eu faltei
Por mais que eu tente eu nunca chego no horário
Eu perco tudo que eu ponho no armário

Tudo atrapalha o que eu faço
Mas pros outros parece tão fácil

A fila que eu escolho vai sempre andar mais devagar
E o troco acaba bem na hora em que eu vou pagar
Se eu me distraio um único instante
Pode apostar que eu perco o mais importante

(...)

Os vizinhos devem rir por trás do jornal
Eu desconfio de um complô
O maior que já se armou
Uma conspiração internacional"
Leoni -Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)/ Conspiração Internacional

Prometeu voltar a escrever, esteve ausente por uma semana. Mas foi por uma boa causa, juro. Estava realmente cansada, embora já tivesse formulado um texto.

Por Anita

quinta-feira, junho 25, 2009

Uma caneta e uma folha de papel em branco lhe bastavam. Acabara de fazer prova – Geografia e Biologia. Preferia não opinar sobre o assunto. Finalmente quinta-feira. Uma contagem regressiva havia chego ao fim. Havia sido adiantada, na verdade. Estava um tanto quanto ansiosa. Não era tão visível, mas o friozinho na barriga de outras vezes voltara a se manifestar. Aos olhos de quem não vivia a mesma situação, era ridiculamente ridículo (sim, vale a redundância), consolava-se com o que se lembrava de um filme que assistiu por várias vezes: se não está disposto a parecer estúpido, não merece estar apaixonado – “A Lot Like Love”.

Lembrara de algo que soube ontem que lhe deixou extremamente sensível/vulnerável – ou como quiser chamar. Intervalo. Preferiu dar um tempo, digerir o assunto. Socializar um pouco.

“Socorro”. 11h11. Admitiu de fato estar num beco sem saída quando viu as gotas d’água fluírem num toldo que separava e protegia o pátio da chuva, na mesma velocidade que rolavam algumas muitas gotas interiores. De volta ao início.

Ao mesmo tempo em que ela se posicionava fortemente diante de alguns fatos, algumas outras coisas realmente mexiam com seu ponto fraco e lhe jogavam na cara, escancaradamente, o quão frágil era. Estava carregada de culpa até o pescoço, sabia como aliviar, soube desde o início e sempre pretendeu o fazer. E embora parecesse “desculpinha pronta”, justificava-se, amplamente, com o medo. Medo de decepcionar, destruir uma imagem pronta, gerar desconfiança. Considerava, sim, compreensível o desencadear de tudo isso diante da ocasião, e era, exatamente por tal, que estava tão aflita. Talvez eu esteja mais do lado dele. Sorte que não prometeu pra ninguém nada muito leve, pelo menos para ela, tudo aquilo estava com quase um mol de densidade. É, aula de química. O corpo acusava o quanto estava agoniada. Começava a pipocar. E, além de tudo, precisava se policiar para surtir uma calmaria a fim de não recebê-lo feito uma criança no auge de sua catapora.

Ele chegaria hoje, pela tarde. Um novo passo a ser tomado. Não planejou muita coisa. Prometeu para si deixar fluir. Como se fosse algo corriqueiro, pois era exatamente assim que gostaria que fosse. Muito mais agradável praticar as coisas simples (perdoe o clichê), ter um retrato vivo de como seria se tudo aquilo lhe fosse absolutamente normal, como se estivessem há anos passando por aquelas determinadas situações.

12h49. Torturante a espera pelo sinal. Juro que ela tentava se dispersar, ainda que fosse em vão.

Já tinha acabado, só estava fingindo que escrevia alguma coisa enquanto a professora ditava a resposta do exercício 20, ou 21, como quiser.

Agradecia ao tempo por lhe poupar um pouco de chuva, pelo menos pra ir pra casa e melhorar o humor.

Fluiu mais do que imaginava.

Por Anita.

terça-feira, junho 23, 2009

Propunha intercâmbio – ironicamente – para os casais desamparados que buscam emoção em demasia. É, intercâmbio! Nesse ponto de vista eu concordava com ela (tá, ela precisava de alguém para concordar plenamente com as suas idéias absurdas, e nada melhor que eu!). Vai dizer que não daria uma boa prova de amor para casais indecisos? Dois semestres em recesso, aguardando ansiosamente pela volta do objeto amado. Depois disso, caso durem a toda tempestade, acredito com veemência, que o assunto de casamento deveria estar fortemente em pauta.

Havia estabelecido um acordo e lhe parecia jeitoso. Não só para ela, mas visava interesses mútuos. Ou assim lhe aparentava. Já que a necessidade carnal, para ela, era controlável, não via por qual motivo não aceitar. Tendo em vista que a proposta partiu diretamente dela, mesmo não sabendo exatamente como seria.

Esteve vazia por 17 anos. Gostou de alguns garotos. Mas nada que seja realmente comparável. Ela não tinha noção primorosa do tamanho, só sabia que não era pequeno e isso lhe bastava, a ponto de não acreditar numa mudança brusca em dois semestres. Tomava como base outra época que sentiu algo acentuado por alguém. Sustentou durante três anos um sentimento nem tão grande assim, porque não um ano com algo muito maior? Estava claramente disposta a tocar como as condições lhe propunham. Oferecia com satisfação todo o seu comprometimento diante do que procedia.

Embora tivesse muita coisa em mente, o excesso de tudo isso lhe congestionava e contrapunha exageradamente com qualquer coisa que parecesse viável.

10h42, antes do meio dia. Aula indicada para insônia. Preferiu terminar numa outra oportunidade, e assim o fez.

Por Anita.

segunda-feira, junho 22, 2009

8h22 da manhã. Aula de Literatura. Segunda feira. Nova semana. Menos dias. Não teria aula a tarde. Já se punha a pensar no que fazer. Como se não lhe fosse óbvio.

Cultivava um sentimento recente de surpresa – com ela mesma. Relia algo que fazia com que se questionasse. Por mais que fosse relutante diante da idéia de admitir, era visível sua mudança. Qualquer um perceberia que ela havia o encontrado. Talvez não quisesse dar o braço a torcer. Sim, ela é muito orgulhosa. Não exibia como troféu, mas se mantinha ciente o tempo todo. Estava vulnerável desde o dia anterior. A partir de então, surtiu o ápice de tudo, intensificando com louvor situações corriqueiras. Talvez não tenha tido a repercussão que desejava. Embora não tenha o feito com intuito de troca.

Ainda que soubesse o quanto era clichê, ela não se reconhecia por alguns momentos. Não que tivesse saudade de alguém anterior a ela própria, mas (...). Eu não sabia o que se passava na mente dela. Quiçá ela soubesse ainda menos que eu.

O comportamento era distinto. Catatonia misturada com indelicadeza se contrapunha com vulnerabilidade. Mais ácida que o normal.

Decidiu parar. Pelo menos por hoje.

Por Anita.

domingo, junho 21, 2009

Não fazia parte de suas intenções escrever hoje. Mas resolveu, por algum motivo, nem que fosse só um pouco. Sábado à noite, 00h16. Em casa. Recebeu alguns telefonemas para sair. Recusou todos. Alguns ficaram por atender. Estava, ali mesmo, muito bem acompanhada, obrigada.

Ela vivenciava a reciprocidade. Em todos os sentidos. E isso lhe bastava, sem questionar. “Como Eu Quero – Leoni” foi a música do dia inteiro.

Por Anita.

sexta-feira, junho 19, 2009

Redação para fazer. Não apresentava muita simpatia pelo tema proposto. E a classe não colaborava. Precisaria de silêncio pleno para surtir alguma ponta de interesse.

29 de maio. Sexta feira. 4h30 da manhã. Telefone móvel posto para despertar. Fora dormir tarde. Estava relutando para levantar. Mala pronta. Repleta de expectativa. Frio na barriga tornou-se inerente. Estava, aparentemente, calma.

5h30 da “matina”. Notou o desfalecer das pernas ao chegar à estação rodoviária. Coração se manteve acelerado por alguns segundos e as mãos esfriaram. Forjava um autocontrole. Preferiu ir dormindo. Tentativa (frustrada) de se acalmar.

Expectativa e proximidade do local de desígnio eram diretamente proporcionais. Chegou por volta das 11h. O amigo lhe esperava, como combinado.

Pegou o convite pendente, almoçou.

Conheceu alguns lugares da capital. Inclusive uma livraria de Direito. Pelos arrepiados. Brilho nos olhos.

Foi a outro shopping para esperá-lo. 3h da tarde. Cogitava esperar, no máximo, até umas 4h. Deixou a livraria por último, com certeza, seria o lugar mais indicado para tranqüilizar-se. Achou um livro que lhe interessou, de fato: Carta a D.: Uma História de Amor – André Gorz. Leu partes do fim. Anotou um trechinho.

4h20. Esperar estava torturante. Decidiu sair da livraria, enquanto fazia uma ligação. Nem precisou. Teria dado uma boa cena de filme americano (estadunidense, se preferir). Talvez, pela ansiedade exorbitante, a única frase que conseguiu montar com nexo foi algo do tipo: “Demorou, hein?”. Ficaram abraçados por um tempo. Tempo relativamente longo. Podia sentir com clareza a pulsação dele de encontro com a sua. A reação repentina subiu aos olhos. Privou-se de encará-lo. Não daria tanta chance ao azar. Leu o trecho do livro que havia anotado.

A ansiedade tinha mudado de rumo: conhecer o apartamento. Lê-se: conhecer alguns membros, com importância relevante do objeto amado. Chegaram com o apartamento vazio. Foram chegando aos poucos. Irmã. Primas. Nenhuma antipatia aparente.

Era o dia da festa. “A” festa. Primeira festa de faculdade. Quatro faculdades. Inclusive a São Francisco.

Por Anita.

quinta-feira, junho 18, 2009

A voz era irritante. Aguda. Impregnante. Piadinhas forçadas para ativar os hormônios da classe. Erros de concordância e explicações redundantes viraram “fichinha”. Ela já nem reparava mais.

A caneta estava com a tinta fraca “Justo hoje que eu resolvi fazer meu texto à caneta pra parar de apagar e ler os erros depois.” Ela tinha feito uma prova da matéria preferida no primeiro tempo: Matemática – dá-lhe ironia! – em relação às demais provas, não tinha ido tão mal assim. Acabou cedo, como de costume. Adiantou o intervalo e trazia a intenção de escrever um pouco. Todavia, preferiu trocar SMS e socializar com alguns colegas que simpatizava bastante.

Agora, esperava a professora terminar suas peripécias na lousa. Mentira. Ela já imaginava como fazer. Só estava esperando o tempo passar enquanto escrevia. Estava fluindo facilmente hoje. Talvez valesse a pena prosseguir.

Lembrou-se da aula de Matemática de hoje à tarde e que não foi ao dentista ontem. “Mais uma aula! (...) Pelo menos era de química. Dos males, o menor.” Foi um dito-cujo noticiar uma peça teatral. Comédia. Relacionamentos virtuais: “Procura-se uma namorada perfeita.com” “Indireta!” Parecia ter lhe despertado algum interesse proeminente. “Depende meu humor. Depende o dia.” Havia saído a classificação do simulado, o qual ela não tinha feito. Lá vinham lamentações?

Perguntaram-lhe se ela o fazia (escrever) todos os dias. Era recente. Não teve nem tempo de enjoar.

Relembrar o fim de maio e o fim de semana com maiores detalhes. Não era hora – indisposição. Truco. “Não enjoam?!” Não censurava, só não entendia como não enjoavam. Ela até jogava. Embora preferisse o fazer quando seus adversários estivessem bêbados.

Ibope. Arma declarada dos alunos contra os professores. Ela vai poder trocar o chefe no primeiro emprego?

Dormir! Talvez fosse o que precisasse no momento. Ou não.

Ela estava em busca de outro livro para se empolgar. Não apresentava mais livros do colégio para ler, pelo menos até então. “Toquinho.” “Don’t Know Why – Norah Jones”.

A professora especulou o bom rendimento da sala. Mesmo que, esta, fosse meio desarranjada. “Não há tanta ordem, porém há progresso. Oposto ao Positivismo.” Ainda que não cometesse sempre, ela gostava de assimilar dessa forma. “Viva às aulas de Sociologia!” Deveria praticar mais. Voltando às aulas de Sociologia, ela adorava as aulas de Sociologia, não só as aulas. Admirava a professora, tanto como profissional, quanto pessoa. 11h47.

(Ela achava ter terminado.)

12h18 – não, ela não havia terminado.
Política isolacionista: Cá, se tocou no tempo em que fazia que não saía. Fora “a” festa de umas faculdades que pegou na capital, fazia muito (mesmo) tempo que não saía na sua cidade. Nem “choppinho”. Nada. Andou saindo para jantar com as amigas. Mas não lhe era tão relevante. Desde que ela não continuasse assim...

A aula de Matemática do segundo período acabara de ser cancelada. 12h27.

Por Anita.

quarta-feira, junho 17, 2009

Metade do ano, metade do dia. 17h17 – exatamente.

Ela precisava de fato ouvir que não foi egocêntrica. Até então, só ouvira lamentação. Ou simplesmente não ouvira nada. Precisava confirmar a própria afirmação que dizia que respeitou seus próprios limites diante dos fatos os quais lhe apresentaram. Ouvir que a posição assumida foi a melhor para ela mesma. Tirar qualquer vestígio de culpa que poderia ter sobrado. Ela precisava se nortear de alguma forma. E assim o fez.

Fingia cantar It’s Not a Time – Tiago Iorc, enquanto fazia o de sempre em frente a uma tela de computador. Ria um pouco. Tudo estava relativamente normal. Relia uns textos. Via algumas noticias. Procurava algumas fotos. Novos contatos. E-mail por excluir. Nos conformes. Fazia um balanço do dia e o comparava com o anterior. Ela seguia mesmo os pensamentos de Heráclito. “De permanente, só há a mudança”

“Amanhã tem aula de química, e eu ainda tenho que responder uns SMS.” Nada de tão relevante. Mas escrever estava lhe consumindo. Sentia necessidade de organizar as idéias num papel. Prometeu relatar o fim de maio. E o fim de semana. Conquanto que a vontade fosse ampla para fazê-lo, não se via impulsionada para tal. Cansaço.

Quase preparando um misto com bastante queijo enquanto buscava motivação para um banho quente no tempo frio (nem tão frio assim – preguiça).

Por Anita.
De uma forma ou de outra se punha a escrever, dessa vez mais cedo. E vale a ressalva: bem mais cedo. Lembrou-se de que essa noite dormiu bem e que a possível desculpa, provavelmente não repercutiria da forma como poderia esperar. Se bem que, pensando com cautela, até daria certo. As angiospermas lhe causavam um sono desigual. Isso porque se encontrava na primeira aula ainda.

Nutria a empolgação para as aulas de violão. Até viu de comprar um com o seu ex-professor de Biologia, que mantém contato desde o antigo colégio por mensagens instantâneas. Foi descartando a idéia das aulas de dança. O interesse era por dança de salão. Inicialmente, precisaria de um parceiro (cheirou o antebraço), pós achar um parceiro, teria que achar um bom lugar; sem contar que cansa muito mais. Sem contar, novamente, as opiniões (ou “a” opinião) alheias que recebera.

“8h36, flor completa, 42, 17” Ouviu por várias vezes que o tempo voa, apesar de não ser muito a favor desse pensamento, preferia tomar uma dose de otimismo, pelo menos por um dia.

Sustentava um ritual de dar “toquinhos” em celulares à longa distância. Ou um celular apenas.

Uma (super) pausa para pensar, aproveitar a aula de física com o professor que gostava. Ouvir conselhos ou histórias da faculdade que era quase inevitável ele contar.

Parou tudo. Focou em algum ponto fixo. E digeriu o medo. Por mais que não fizesse questão de manter o controle da situação (já havia deixado esse controle na mão de outra pessoa há muito tempo e, talvez, seja exatamente isso que a afligia: tomarem uma decisão que ela discorda e que, aí sim, seria algo egoísta de fato). Ensaiou algumas coisas pra dizer no último telefonema, mas se sentiu inviabilizada por algum motivo que não lembrava – ou não fazia muita questão de lembrar. Ela não entendia como alguém podia se considerar egoísta diante de uma segunda pessoa que se colocou ciente dos acontecimentos o tempo inteiro e embora tenha tido esse conhecimento, continuou martelando na mesma tecla apesar de todos os fatos que poderiam convergir contra.

Recebeu um SMS que a fez refletir por horas. Só resolveu verbalizar há pouco tempo, por ter estabelecido uma idéia para o assunto. Esteve por alguns momentos, exageradamente, impulsionada a responder. Mas percebeu que não era tempo.

Estava – quase – ansiosa pela mudança no cabelo que planejava. Corte. Cor. Cheiro. Coragem. Comemorando (ou não) de uma forma peculiar o inicio/final do novo ciclo. Talvez, sem os tons mais claros se tornasse mais séria. Talvez combinasse com seu estado futuro. Talvez não.

Ouvia com acidez as piadas baratas do professor comunista. Planejava o dia. Via o amarrar desajeitado dos cabelos negros e grossos da colega da frente.

Tinha pouco tempo.

Novamente, o assunto de tomarem uma decisão por ela a assustava.

“Ainda que eu falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria.”

Tentava dobrar o papel.

(...)

Reabriu. Anotou a data. Redobrou.
“17 de junho de 2009 – metade do ano.”

Optou, sem hesitar, por ser uma metáfora. E assim seguiu.

Por Anita.

terça-feira, junho 16, 2009

16 de junho de 2009, metade do ano. Terça feira de manhã.
“Muito curto, não gostei.” Dizia ela a um ouvinte inexistente sobre o livro que leu no fim de semana.

Era visível a nostalgia tomando conta de seu estado aparente. O motivo nem mesmo ela saberia. O tempo chuvoso, cinza e frio talvez contribuísse com alguma coisa. A vontade era de dormir, em nenhum lugar especial ou com alguém especial de fato. Só queria dormir. Mais facilidade para esquecer algumas coisas, ou lembrar-se de outras, depende o humor e o quão disposta estava. Uma contagem regressiva se mantinha na agenda.

Reparava no salto do tênis e no bolso do jeans do professor. Percebia o quanto aquela voz, que parecia mais longe que o normal, era indicado para insônia. Ouvia algumas conversas, analisava outras. Retirava o resto de esmalte que sobrava na unha. Olhava freqüentemente no relógio, buscando um acelerar espontâneo dos ponteiros. Planejava um cachorro quente com guaraná no próximo intervalo. Imaginava como estava o clima em Campos, enquanto trilhava as músicas da manhã; Era dos Rolling Stones, não lembrava o nome, tinha em mente só dois ou três versos do refrão.

Um gosto de cappuccino ice (bebida a qual saboreava com mais freqüência no inicio do ano retrasado no café que adorava visitar) invadiu sua boca com perfeição, enquanto remetia lembranças do comentário entre parênteses: “como era tudo muito diferente...”.

Lembrara da redação sobre a água que estava pendente e algumas outras que não havia buscado o tema ainda. Acabava de escolher outra música para acompanhá-la durante a manhã, música a qual se sustentava um tanto quanto pertinente já fazia um tempo: James Morrison – You Give Me Something. E, em menos de 25 minutos, já havia trocado: Leoni – Fotografia. Inclusive, lembrou-se do presente que recebeu no feriado prolongado, para ser mais especifico e surtir alguma explicação para um possível leitor, ganhou um DVD no dia dos namorados: Leoni – Ao Vivo. “Chegaram as tardes de sol a pino...”.

Sentia falta de algo que a acompanhara há 6 anos no anelar direito. Procurava algum outro assunto para desvincular-se dos últimos dias. Não queria lembrar. Racionalmente, não lhe fazia bem.

Seno, cosseno ao quadrado tentavam invadir sua mente a fim de alguma atenção especial. Estava quase se encorajando para tirar o agasalho, mas não queria chamar qualquer atenção ao se movimentar. Encontrava-se estranhamente séria – era estranho até para ela mesma. Tentava imaginar como seria o mês de agosto, quase empolgada por algumas aulas de dança ou aulas de violão. Ficava encantada com a idéia de ir “dormir” na casa das amigas e ficando cantando até quando calhasse ou dormisse sob o violão.

Parava alguns breves momentos para copiar a correção da prova de matemática – matéria pedra/montanha no caminho. A nota nunca lhe era surpresa, já estava acostumada a esperar pelo pior. Copo (sempre) meio vazio. “Pelo menos meu tombo não é tão grande, caso eu esperasse por muito mais.”

Sentia-se como há uns 9 meses atrás: vazia. Desacreditando aos poucos. Não, leitor, ela não tinha deixado de se apaixonar diariamente, era único e exclusivo de hoje, dessa manhã. Embora acreditasse não ter desapaixonado, não sabia quanto tempo levaria para voltar ao “normal”. Por um tempo, não conseguia pensar em nada viável para por no papel. Balançar a perna era quase inevitável e irritante.

Possuía um expresso medo (medo ou orgulho?) de reler o que estava escrevendo. Por mais que fosse preciso para acertar erros de concordância, sentido, grafia. Talvez não tivesse coragem o suficiente. Moribunda.

Por Anita.