segunda-feira, março 22, 2010

Não é de hoje, não é desse século que vemos e estudamos o homem falhar e pagar pelas próprias palavras. Incontáveis são as vezes que provamos a nós mesmos que a nossa “elevação” intelecto-racional é, de muito fato, o nosso aniquilamento, o embaraço camuflado é o paradoxo de uma dádiva que nos faz (moralmente) inferiores. Não porque esse era intuito principal, mas sim porque para outros fins, e nos dispusemos sem questionar, como já é de praxe.

Noutras ocasiões há a predisposição de um amparo religioso. O lado bom, ou não, é que isso realmente interfere na vida das pessoas proporcionando-lhes alguma dignidade aparente, por mais que seja imposta (e relativa). O biólogo Richard Dawkins disse em uma entrevista que uma pessoa que deixa de fazer o “mal” apenas porque crê na eterna continuidade da vida – vida após a morte; concepções de céu e inferno – ou seja, aquele que faz o bem por medo de um “castigo” divino é, no mínimo, antiético. E é aí que entra uma série de outras questões, o tão batido tema sobre pena de morte por exemplo, visto que não é o medo que se deve introduzir numa sociedade e, sim, a ética acompanhada da dignidade. Esculpir a idéia de que tirar o direito da vida com as mãos deve-se estar fora de cogitação por já ser atribuído à sua moral e não por medo de uma possível punição comprometendo sua (pseudo) liberdade. Entende onde quero chegar? Onde está o caráter moral disso? Existe alguma bondade natural ou tudo é atribuído aos “desejos” de Deus? O homem nasce bom? Ou somos maus por natureza?

Numa das poucas vezes que paro pra assistir TV, vi um homem que matou outro porque esse se recusou a fechar a janela do ônibus. Não estou querendo proporcionar sensacionalismo ou uma sessão “Datena” através desse texto, mas, sinceramente, a que ponto chegou nosso discernimento mental? – Se procede a informação de que só usamos 10% da capacidade do cérebro, que isso seja revisto para que possamos descobrir como ir além, não? Alguns poderiam chegar até mim e me tentar “justificar” o ato ao questionar o nível de instrução mental desse homem. Mas convenhamos, é ingenuidade analisar a tal instrução mental, pois quanto mais controle do cérebro tivermos, maior o intuito em exercer uma dominação uns com os outros. Revolução do Bichos, lembra? Quanto ao assassino do ônibus, pouco importaria se tratasse de um analfabeto, comerciante, professor, ou um “Dr.”. Ainda é importante lembrar que Harry Truman, político e estadunidense, juiz em 1922, senador em 34 e presidente em 45, foi um dos responsáveis por um dos maiores flagelos da história, as bombas atômicas lançadas em Hiroshima e Nagasaki.

Não importa se é bem instruído ou não, simplesmente são humanos. O homem é dotado de uma essência ruim que vai além do extinto de preservação de vida dos demais animais. Somos egoístas, dominadores, onipotentes. Não só. Somos todos iguais, o que nos difere são as circunstâncias e as armas em mãos. “A ocasião faz o ladrão.”

Por Talita